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	<title>Pândega</title>
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		<title>Pândega</title>
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		<title>Sobre Camila</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Mar 2008 15:35:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexfalcao23</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Alex Falcão Eu nunca tentei entendê-la. Nunca me preocupei com isso. O mais importante foi que, sim, eu a conheci. No apartamento 215, ela entrava apressada às 7 da manhã. Nos segundos em que sua porta ficava aberta, eu tinha a imagem do seu lar florido e colorido, talvez algo que ela quisesse encontrar ao [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nossapandega.wordpress.com&amp;blog=3064142&amp;post=50&amp;subd=nossapandega&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:12pt;font-family:'Times New Roman','serif';">Por Alex Falcão</span></p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:'Times New Roman','serif';"></span><span style="font-size:12pt;font-family:'Arial','sans-serif';">Eu nunca tentei entendê-la. Nunca me preocupei com isso. O mais importante foi que, sim, eu a conheci. No apartamento 215, ela entrava apressada às 7 da manhã. Nos segundos em que sua porta ficava aberta, eu tinha a imagem do seu lar florido e colorido, talvez algo que ela quisesse encontrar ao voltar para casa. </span></p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:'Arial','sans-serif';"></span><span style="font-size:12pt;font-family:'Times New Roman','serif';"></span><span style="font-size:12pt;font-family:'Arial','sans-serif';">Nas caminhadas pela rua Augusta em busca de qualquer boteco, não foram poucas as vezes em que a vi perto de alguma esquina, produzida em meio a tantas pessoas que buscavam da mais simples diversão, ou um gole de cerveja, a noites de fúria, interpretando uma personagem da mais pobre estirpe.</span></p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:'Arial','sans-serif';"></span><span style="font-size:12pt;font-family:'Times New Roman','serif';"></span><span style="font-size:12pt;font-family:'Arial','sans-serif';">Juro que guardei o segredo. Sabia o que se passava na vida daquela moça de pele branca com visual hippie, cabelos longos cobrindo as costas, bolsa de alça cruzada ao peito e que não hesitava em chegar à roda para dividir o vinho nosso de cada dia, jogar conversa fora e participar da roda de violão.</span></p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:'Arial','sans-serif';"></span><span style="font-size:12pt;font-family:'Times New Roman','serif';"></span><span style="font-size:12pt;font-family:'Arial','sans-serif';">Camila era a menina que sempre estava de passagem, gostava de conversar, compartilhar a alegria com os demais, mas nunca por muito tempo. Talvez para não apertar demais os laços, aquele carinho que prende sem folga e não nos deixa escapar uns dos outros. Talvez Camila só quisesse se alimentar do nosso riso, uma dose de alegria naquela vida de cão solitária e desumana da noite, da venda diária do corpo e da perda eterna da sua alma.</span></p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:'Arial','sans-serif';"></span><span style="font-size:12pt;font-family:'Times New Roman','serif';"></span><span style="font-size:12pt;font-family:'Arial','sans-serif';">Nas conversas que rolavam à tarde, Camila sonhava. Queria voltar para sua Ubatuba onde nunca morou, mas onde, desde a primeira vez em que esteve, dizia ter encontrado seu verdadeiro lugar. Camila sempre nos carregava em seus sonhos. Tínhamos 18, 19 anos, e Camila, 27. Falava das coisas que não viveu, da sua futura casa na beira do mar e das redes que teríamos para dormir quando fôssemos visitá-la.</span></p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:'Arial','sans-serif';"></span><span style="font-size:12pt;font-family:'Times New Roman','serif';"></span><span style="font-size:12pt;font-family:'Arial','sans-serif';">Mesmo com a sua presença constante, mas passageira pela galera, às vezes ficávamos dias sem vê-la. Quando andava com o passo rápido, óculos escuros, sem dizer um oi, eu tentava imaginar o peso que carregava sobre os ombros ou as marcas nos olhos que tentava esconder. Nesses dias, o corredor de acesso ao elevador onde ficávamos por horas conversando era gigantesco para Camila. Tinha que nos mostrar a personagem que era, totalmente distante de quem queria ser, uma contradição feita de sonhos e pesadelos.</span></p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:'Arial','sans-serif';"></span><span style="font-size:12pt;font-family:'Times New Roman','serif';"></span><span style="font-size:12pt;font-family:'Arial','sans-serif';">Num sábado de manhã, Grace me ligou pedindo pra descer e ir ao apartamento de Camila. Da imagem que eu tinha na memória, só restavam as flores, o cheiro de incenso na sala e as paredes coloridas do seu lar. Ela estava lá: deitada, com marcas pelo corpo, sangue na boca e um olhar perdido, sentindo-se culpada pela própria existência. Não queria a nossa ajuda, a nossa compaixão. Na verdade, não queria que a víssemos naquele estado. </span></p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:'Arial','sans-serif';"></span><span style="font-size:12pt;font-family:'Arial','sans-serif';">Camila contou a Grace que apanhou de um grupo de rapazes ao sair do trabalho, em um restaurante próximo à Vila Mariana onde trabalhava como garçonete. Por não ter a quem pedir ajuda, Camila não quis ir à delegacia, não quis contar detalhes. Só queria ficar sozinha.</span></p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:'Arial','sans-serif';"></span><span style="font-size:12pt;font-family:'Times New Roman','serif';"></span><span style="font-size:12pt;font-family:'Arial','sans-serif';">Enquanto Grace foi à farmácia, ficamos a sós por meia hora. Não tive coragem de me abrir com ela, de contar que sabia das suas noites perdidas e da solidão e decepção que sentia ao voltar pra casa. Quando ela estava na roda da galera, por algumas horas, ela fazia parte de tudo aquilo, mas vendo-a naquele estado, no sofá, vi a real distância do mundo em que vivíamos.</span></p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:'Arial','sans-serif';"></span><span style="font-size:12pt;font-family:'Times New Roman','serif';"></span><span style="font-size:12pt;font-family:'Arial','sans-serif';">Depois daquele sábado nunca mais a vi no prédio da rua Marques de Paranaguá, n<s>º</s> 96. Passei a imaginar para onde foi Camila, se ainda alimentava o seu sonho de mar, se passava as noites em claro agradando a pobres miseráveis, se ainda dormia em porta de metrô ou negociava a carona de volta pra casa. Durante algum tempo pensei em tudo que cercava o seu mundo.</span></p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:'Arial','sans-serif';"></span><span style="font-size:12pt;font-family:'Times New Roman','serif';"></span><span style="font-size:12pt;font-family:'Arial','sans-serif';">Então, na tarde de um dia qualquer, ao lado da floricultura da Praça João Mendes, dividindo ponto com mais quatro mulheres, lá estava Camila. Interpretando a sua eterna personagem sob a luz do dia, sem aplausos, sem admiração. Não deixei que ela me visse, ela não precisava dessa lembrança de quem somos e de quem gostaríamos de ser. O seu olhar perdido ainda era o mesmo, mas Camila continuava cercada de flores.</span><span style="font-size:12pt;font-family:'Georgia','serif';"></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:12pt;font-family:'Times New Roman';"></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/nossapandega.wordpress.com/50/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/nossapandega.wordpress.com/50/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nossapandega.wordpress.com/50/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nossapandega.wordpress.com/50/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nossapandega.wordpress.com/50/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nossapandega.wordpress.com/50/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nossapandega.wordpress.com/50/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nossapandega.wordpress.com/50/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nossapandega.wordpress.com/50/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nossapandega.wordpress.com/50/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nossapandega.wordpress.com/50/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nossapandega.wordpress.com/50/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nossapandega.wordpress.com/50/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nossapandega.wordpress.com/50/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nossapandega.wordpress.com/50/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nossapandega.wordpress.com/50/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nossapandega.wordpress.com&amp;blog=3064142&amp;post=50&amp;subd=nossapandega&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Índia vespertina</title>
		<link>http://nossapandega.wordpress.com/2008/03/26/india-vespertina/</link>
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		<pubDate>Wed, 26 Mar 2008 12:30:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>a28z</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

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		<description><![CDATA[(Domingo de Páscoa) Eu aproveito os feriados santos para fazer mea culpa com a família. Páscoa é perfeita. Sempre foi. A morte, a ressurreição, como uma despedida dos péssimos exemplos (a ausência) e a promessa de uma nova vida (a presença). Nada como chocolate meio amargo e bacalhau imperial para sair ileso. Com o tempo, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nossapandega.wordpress.com&amp;blog=3064142&amp;post=49&amp;subd=nossapandega&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(Domingo de Páscoa)</p>
<p>Eu aproveito os feriados santos para fazer mea culpa com a família. Páscoa é perfeita. Sempre foi. A morte, a ressurreição, como uma despedida dos péssimos exemplos (a ausência) e a promessa de uma nova vida (a presença). Nada como chocolate meio amargo e bacalhau imperial para sair ileso.</p>
<p>Com o tempo, e o preço da culpa subindo no mercado familiar, tive que assumir algumas panelas. Só os presentes finos não encantavam o suficiente. Era justo e prazeroso cozinhar para minha mãe, sobrinhas e irmãs – agregados inclusos. Eu adorava vê-las papeando ao invés de vestirem aventais. A criançada correndo, as mulheres de bochecha vermelha por causa do álcool e os homens discutindo futebol.</p>
<p>Minha única exigência era ouvir Billie Holiday enquanto tirava o sal do peixe e picava os temperos do refogado. Quando tocava “Tenderly” eu colocava a culpa na cebola por deixar algumas lágrimas escorrerem. Sorte a minha nunca ninguém conferir a tábua e descobrir que era salsinha que eu picava nessa hora.</p>
<p>Mas como em todo mercado especulativo, os preços sobem. Minha mãe sentia falta de uma companhia feminina. Não sei se ela queria mais netos ou conhecer que tipo de mulher me agradava. Eu, depois dos 30 anos, sempre aparecia sozinho nessas ocasiões. Não era um vinho verde português que minha mãe queria ver minhas mãos carregando. Definitivamente ela queria uma nora.</p>
<p>Foi somente na loja de chocolates finos, na mesma semana da páscoa, que atentei para a possibilidade de minha mãe achar que eu era gay. Aquilo me deixou meio atordoado. As compras de chocolate foram meio sufocantes. Minha mãe não merecia ter esse tipo de pensamento. Para mim não, mas para ela a homossexualidade era algo terrível. Eu adorava as mulheres, mas não via atalhos de levá-las ao lar sagrado da matrona. Fazia parte do meu mise en scene mantê-las afastada da família.</p>
<p>Enquanto faziam os embrulhos luxuosos nos ovos de páscoa, fui até a porta da loja tomar um ar. Bela decisão para me acalmar. Era uma brisa típica de chuva: cheirosa e nervosa, acompanhada de nuvens cinza. Escolhi uma loja da rede de chocolates que fica bem no centro velho de São Paulo. Praça João Mendes quase esquina com Quintino Bocaiúva. Logo na porta, alguma mulheres ofereciam prazer. Eu sempre reparei nelas trabalhando à tarde nas cidades, seja em Campinas, São Paulo ou Rio de Janeiro, próximas aos estabelecimentos da Justiça, mas algumas novidades saltavam aos olhos. A maioria agora era de mulheres mais novas.</p>
<p>Uma delas era muito bonita, como uma índia da floresta. Seus cabelos lisos e negros, pele bem morena e olhos levemente puxados me enfeitiçaram. Queria saber seus segredos ali na rua mesmo, no sol forte, entre os assovios de vagabundos e pedreiros de folga. Ela era alegre, abordava todos sem distinção. As colegas só abordavam os homens mais simples. Quando criei coragem para chegar perto, a atendente da loja me chamou dizendo que os embrulhos estavam prontos. Um coitus interruptus.</p>
<p>Desencorajado, fui buscar os pacotes. Quando voltei para a brisa fresca e a penetrante visão da índia de mini saia, as sacolas e laços chamaram a atenção dos olhos negros da belle de jour. “Gaste aqui um dinheirinho comigo também, galego!”. Arregalei o olho e disse sim, com as sacolas na mão. Sorrindo – ao contrário de suas colegas &#8211; deixou tudo muito claro sobre preços, local e detalhes desconcertantes para clientes especiais. Eu respondi dizendo que pagava o dobro só para conversar e tomar uma cerveja. Ela ficou séria. Disse que não bebia em serviço. “Eu bebo e você toma um suco ou um café”, argumentei. Olhando para a catedral da Sé ela me disse que não tinha sede e nem necessidade de conversar. Percebi que sua vaidade foi ferida e consertei rapidamente a grosseria dizendo que ela era linda, que não escolheria outra senão ela, mas que eu estava sem condições de praticar o ato. “Sua companhia na conversa terá o mesmo efeito” disse sem saber se ela entenderia.</p>
<p>Ela aceitou muito a contragosto. Receosa e desconfiada de qualquer ameaça ou risco, escolheu a espelunca para bebermos. O bar era sujo, lotado de frequentadores típicos do centro velho e música muito alta na jukebox. Sua opinião a meu respeito devia ser muito ruim. Minha curiosidade não se importava com isso, só queria saber como aquela mulher linda tinha chegado ali, na Praça da Sé para se prostituir. Demorou até convencê-la que eu não era polícia, maníaco sexual ou paranóico. Mas depois disso se soltou.</p>
<p>Sua rota e paradeiro era a Espanha. Queria se prostituir lá, como tantas outras da sua cidade, no interior de Goiás. Voltavam ricas e algumas casadas com estrangeiros. Mas seu agenciador disse que, ultimamente, os vistos eram negados, havia mais rigor para entrar na Europa. Ele sugeriu que esperasse a poeira baixar e ficasse em São Paulo por um tempo. Garota do interior, com certa ingenuidade, não sabia o que a esperava na metrópole. Disse-me que nasceu bem, em família que não passava por dificuldades, mas que ela gostava muito de sexo e seu pai a expulsou de casa quando fez um aborto escondido aos quinze anos. Ele descobriu e não a perdoou. Talvez até perdoasse a ninfomania, mas não o crime ao feto de 2 meses. Hoje, com 22 anos, havia completado poucos meses na nova profissão.</p>
<p>Contou muita coisa. Se soltou mesmo. Não me chocava aquilo tudo. Ela imprimia um ar trágico que tirava o lado realista do fato. Uma dúvida precisava ser esclarecida: porque ela trabalhava à tarde? Nenhuma inspiração na atuação de Catherine Deneuve, mas na proteção do “cumpadi”, o agenciador, que garantia os clientes mais tranqüilos e sem confusões que os clientes noturnos costumam causar. Ela virava abóbora às 18 horas.</p>
<p>Por não ter me influenciado por todas aquelas mazelas, ainda sobrou espaço para me inspirar numa idéia mirabolante. “Quanto ela cobraria para passar a Páscoa comigo e com minha família?”. Minha mãe ia passar uma Páscoa mais feliz se eu chegasse acompanhado. A índia não tinha estereótipo de prostituta. Só possuía roupas curtas e lascivas demais no seu armário, mas qualquer banho de loja na Vila Madalena a transformaria numa estudante de teatro ou numa hippie universitária. Fantasia ideal para tornar uma mãe convencida da masculinidade do filho.</p>
<p>Não me deu muito trabalho e topou. Ela criou afeição ao meu lado ouvinte, carente como só ela. Fez o preço e ficou combinado de passarmos a Páscoa juntos. No sábado de aleluia nos encontramos à tarde e fizemos compras. Roupas pra ela, bacalhau no Mercadão, mais chocolates e muita cerveja entre uma loja e outra. Que companhia agradável ela era; me deixava impressionado. Transformava todo aquele compromisso numa festa à fantasia, numa diversão programada. Como virava abóbora às dezoito horas, por causa do “cumpadi”, não ouviu toda a receita da portuguesa do bar ao lado da Rua Augusta. Eu ouvi e me inspirei para cozinhar no dia seguinte.</p>
<p>E assim a índia da Praça da Sé, que virou Bianca para a família, se apresentou como minha namorada. “Moça de poucas palavras” disse minha mãe. Aliviado, respondi que essa era sua maior virtude nesse pouco tempo que a conhecia. Minhas irmãs dançaram com ela, minhas sobrinhas mostraram todas as bonecas e meus cunhados a mediram maliciosamente de cima a baixo. Não precisei de Billie Holiday para cozinhar. A presença de Bianca me ocupava o tempo inteiro e meus ouvidos precisavam ficar atentos. Que atriz! Que presença de espírito! Comecei a acreditar em algumas estórias que ela contou naquela espelunca por conta dessa atuação na casa da minha mãe.</p>
<p>Missão cumprida. Engoliram Bianca junto com o bacalhau , o vinho português e o chocolate. O domingo de Páscoa passou rápido, pois às 18 horas a índia virava abóbora. Foi perfeito. Uma aventura arriscada que deixou minha mãe tranqüila e me fez conhecer uma mulher e tanto. Não a vi mais e nem soube o nome dela.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/nossapandega.wordpress.com/49/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/nossapandega.wordpress.com/49/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nossapandega.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nossapandega.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nossapandega.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nossapandega.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nossapandega.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nossapandega.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nossapandega.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nossapandega.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nossapandega.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nossapandega.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nossapandega.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nossapandega.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nossapandega.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nossapandega.wordpress.com/49/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nossapandega.wordpress.com&amp;blog=3064142&amp;post=49&amp;subd=nossapandega&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Marcelo Fabri</media:title>
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		<title>&#8220;Vida fácil?&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Mar 2008 19:04:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Thadeu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[- “Acabou. Não via a hora desse lixo sair de cima de mim. Fedido, e só fala bosta.” - Nossa heim! Você é muito gostosa. - “Não diga? E você é nojento.” &#8211; Obrigada. Preciso estudar pra sair dessa vida. “Tá cada dia mais pior”. Ontem foi aquele xarope que me deu um soco na [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nossapandega.wordpress.com&amp;blog=3064142&amp;post=48&amp;subd=nossapandega&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- <em>“Acabou. Não via a hora desse lixo sair de cima de mim. Fedido, e só fala bosta.”</em></p>
<p>- Nossa heim! Você é muito gostosa.</p>
<p>- <em>“Não diga? E você é nojento.”</em> &#8211; Obrigada.</p>
<p>Preciso estudar pra sair dessa vida. “<em>Tá cada dia mais pior</em>”. Ontem foi aquele xarope que me deu um soco na cara, quando eu disse que não ia com ele porque estava bêbado demais. Outro dia um espertinho falou que tinha esquecido a carteira no carro e me deu um perdido. Me fodeu duas vezes o filhadaputa! &#8211; “<em>Estou cansada desses tipos.</em>”</p>
<p>É acho que vou ver aquele esquema com a Marcinha. Tá com um monte de roupa nova, e disse que tá cheia de namorado bonito. Ela até me chamou outro dia pra fazer ponto com ela na São João. Não acreditei muito naquela estória de fazer programa na hora do almoço, mas acho que preciso tentar. Um monte de escritório perto, os clientes estão todos cheirosos e arrumadinhos. Uma mistura de homens de terno (<em>sou louca por homens de terno</em>), e molecada nova louca pra fazer o que eles veêm na internet. Fora é claro, que o preço do programa é bem melhor. Trabalhando mais uns dois anos eu já consigo me arrumar.</p>
<p>- Posso tomar um banho rapidinho?</p>
<p>- Não tem chuveiro no banheiro.</p>
<p>- Humpf!</p>
<p>“<em>Ainda quer reclamar?</em>” Mas também isso aqui tá uma merda mesmo. E ele nem está assim tão xapado como pensei. Mas está fedido. Quando eu vim pra cá, aqui era bem falado. Hoje dá até nojo, uma espelunca das piores, deve ser por isso do meu desânimo. É sair daqui e ir pra estrada. &#8211; “<em>Aff</em>.”</p>
<p>- O quê?</p>
<p>- Nada. Quer dizer, trinta conto.</p>
<p>- Ué!?! Eu já não paguei?</p>
<p>- “<em>Pronto. Mais um que esqueceu a carteira no carro. Ele que venha com essa estórinha que eu viro bicho aqui.</em>” &#8211; Não gato. Você não me deu nada, só prazer até agora. Lindo!</p>
<p>- Opa! Então toma ai.</p>
<p>- “<em>Agora sim me deu prazer</em>”. Tá certo gato. Vamos sair? Já deu o horário também. “<em>E eu não aguento mais ficar aqui com você.</em>”</p>
<p>- Opa! Vamos.</p>
<p>Saio do quarto e no corredor fica nosso banheiro menos sujo, me despeço do fedido e entro pra carregar mais um pouco a maquiagem. Arrumo a roupa, carrego no perfume da Cristhina, dou um tapa no cabelo e saio com o sorriso no rosto. Garota que não sorri não ganha dinheiro. E por saber que hoje é meu último dia aqui, já estou feliz imaginando os bonitinhos que vão me dar dinheiro amanhã de tarde.</p>
<p>- Oi coisa linda.</p>
<p>- “<em>Oi coisa estranha.</em>” &#8211; Tudo bem querido? Quer dar uma trepada?</p>
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			<media:title type="html">Fernando Thadeu</media:title>
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		<item>
		<title>Comprimidos e conhaque</title>
		<link>http://nossapandega.wordpress.com/2008/03/24/comprimidos-e-conhaque/</link>
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		<pubDate>Tue, 25 Mar 2008 02:45:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinícius</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Vinícius Peixoto - Nome? - Malu. - Malu de quê? Quero o nome completo. - Maria Lúcia da Silva - Profissão? - Puta. - Como assim, “puta”? - Puta! Vendo meu corpo por dinheiro. Faço sexo com homens para garantir meu sustento. Já era noite quando Malu saiu da delegacia. Aquele dia não lhe [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nossapandega.wordpress.com&amp;blog=3064142&amp;post=46&amp;subd=nossapandega&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Vinícius Peixoto</p>
<p>- Nome?<br />
- Malu.<br />
- Malu de quê? Quero o nome completo.<br />
- Maria Lúcia da Silva<br />
- Profissão?<br />
- Puta.<br />
- Como assim, “puta”?<br />
- Puta! Vendo meu corpo por dinheiro. Faço sexo com homens para garantir meu sustento.</p>
<p>Já era noite quando Malu saiu da delegacia. Aquele dia não lhe renderia mais nem um tostão. Estava decidida. Nunca mais ia passar uma madrugada naquelas ruas imundas e infernais da cidade. Disputava espaço com travestis violentos, bêbados valentes e metidos a estupradores, jovens ricos e justiceiros e as colegas de profissão, sempre desleais e traiçoeiras.</p>
<p>Lembrar de todas as vezes que foi espancada, queimada por pontas de cigarro acesas e molhada de urina ou outro dejeto deixava Malu triste e desanimada. Nunca fora outra coisa se não objeto sexual. Não teve opção. Só na adolescência, já sozinha no mundo, foi entender que aceitar doces do pai em troca de silêncio enquanto era violentada também podia ser uma forma de prostituição. Seguiu em frente. Rodou boa parte do país em boléias de caminhão, ao lado de homens barrigudos, fedidos e, como seu pai, violentos. Fazia sexo por comida, por dinheiro, por carona ou simplesmente para não ser morta. </p>
<p>Aliás, já considerava morta a parte do seu corpo que servia de escape para aqueles monstros barbudos que encontrava. Não via serventia para aquele buraco. Na cabeça da jovem Malu, servia apenas para excretar seus restos e servir de abrigo para corpos cansados, inseguros e solitários.</p>
<p>Quando chegou na cidade, depois de depender da bondade condicional de desconhecidos, percebeu que sua vida poderia ser diferente. Firmou ponto em uma das ruas do centro e foi dividir um quarto com mais três mulheres da vida. Uma delas, Raíssa, ensinou à Malu a forma mais fácil de sair da realidade. “Um comprimido de Lexotan e um gole de conhaque! Está aqui a sua passagem para o mundo perfeito! O mundo do seu jeito, com a sua cara!”.</p>
<p>Assim que o cruel assassinato de Raíssa apareceu em todos os noticiários, Malu e suas companheiras decidiram mudar o horário de trabalho. Era mais seguro trabalhar à tarde, diziam. Malu agora dividia o espaço com camelôs, vendedores e os transeuntes que lotam aquela região da cidade todos os dias. Sem preocupação com a polícia e com homens violentos, tudo era mais fácil. Seus clientes barbudos foram substituídos por jovens de terno e gravata, igualmente solitários e inseguros e sua vida se resumia em uma única coisa: garantir a cartela de comprimidos e a garrafa de conhaque, seu passaporte para a felicidade.</p>
<p>Nada de ruim existia no caleidoscópio que aquela mistura criava na cabeça de Malu. Lá, onde era realmente livre, podia voar, amar e rir sem medo. Nada lhe custava e a brisa era morna e suave. Seu corpo moreno e esguio não carregava nenhuma cicatriz. O céu era azul, sem nenhuma nuvem. Visitava o mar sempre que queria e descansava sob a sombra de árvores com frutos saborosos. Ali, sim, a vida de Malu era perfeita. Seus cabelos, castanhos e cacheados, caíam sobre os ombros com leveza. Seu sorriso era alvo e brilhante. Sua gargalhada ecoava nos quatro cantos.</p>
<p>Mas nada dura para sempre. Nem o sonho insano que o comprimido causava. Logo, o céu ficava escuro, uma dor insuportável tomava conta de sua espinha e o despertar era amargo, tinha gosto de fel. Malu precisava levantar, aprontar-se para o trabalho e sair na esperança de ter uma tarde agradável, sem precisar responder às perguntas do delegado:</p>
<p>- Nome?<br />
- Malu<br />
- Malu de quê? Quero o nome completo<br />
- Maria Lúcia da Silva<br />
- Profissão?<br />
- Puta.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/nossapandega.wordpress.com/46/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/nossapandega.wordpress.com/46/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nossapandega.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nossapandega.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nossapandega.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nossapandega.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nossapandega.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nossapandega.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nossapandega.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nossapandega.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nossapandega.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nossapandega.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nossapandega.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nossapandega.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nossapandega.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nossapandega.wordpress.com/46/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nossapandega.wordpress.com&amp;blog=3064142&amp;post=46&amp;subd=nossapandega&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Vinícius</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Fim de carreira</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Mar 2008 23:34:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marco Aurélio Gois dos Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[No começo, pareceu uma boa idéia. &#8220;É mais seguro&#8221;, elas diziam. &#8220;Os clientes são melhores&#8221;, argumentavam. &#8220;A concorrência é menor&#8221;, lembravam. Não tinha como dar errado, então ele cedeu. Estava empolgado com a descoberta do novo nicho em um mercado tão antigo e saturado. &#8220;Putas filhas da puta&#8221;, é o pensamento com sabor de genealogia [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nossapandega.wordpress.com&amp;blog=3064142&amp;post=45&amp;subd=nossapandega&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No começo, pareceu uma boa idéia.</p>
<p>&#8220;É mais seguro&#8221;, elas diziam. &#8220;Os clientes são melhores&#8221;, argumentavam. &#8220;A concorrência é menor&#8221;, lembravam. Não tinha como dar errado, então ele cedeu. Estava empolgado com a descoberta do novo nicho em um mercado tão antigo e saturado.</p>
<p>&#8220;Putas filhas da puta&#8221;, é o pensamento com sabor de genealogia bíblica que lhe ocupa a mente agora, enquanto caminha sob a luz dos postes na praça vazia. Nos bons tempos, a João Mendes era um jardim e todas as flores eram dele. Ele, Zelão, clássico agente do amor profissional, tinha uma carreira para se orgulhar. No começo, anos 70, ostentava uma vasta cabeleira afro, estolas de pele, calças boca-de-sino listradas e justas, sapatos de plataforma, tudo inspirado pelos <em>pimps </em>gringos. Daquela época, guardava apenas a unha crescida e pontiaguda do mindinho esquerdo e seu código de honra: proteger as meninas, orientá-las e ganhar sua vida com base no respeito mútuo. O frágil equilíbrio — ele, elas, os clientes, a polícia, as senhoras da sociedade — era mantido a muito custo. Então veio a idéia do novo turno de trabalho, e a receita degringolou.</p>
<p>Primeiro foi a revolução das estrias. As damas da noite não são &#8220;da noite&#8221; por acaso: a penumbra é sua aliada contra os estragos do tempo e das circunstâncias. Todos os gatos são pardos, todas as putas são belas. O cliente as encontra no escuro, no escuro caminham juntos até o hotel, num quartinho escuro consomem o ato rapidamente, e eis duas pessoas satisfeitas: o homem que aliviou a pressão, a mulher que prestou um serviço e recebeu seu pagamento. Equilíbrio, pensa Zelão agora, é o segredo de tudo. Mas durante o dia o equilíbrio se acaba: mais justas e brancas do que Deus, as calças transparecem celulites. Os tops mínimos favorecem os pneus e as cicatrizes de cesarianas. Um dia de atraso no retoque da tintura faz os cabelos brancos saltarem à vista de quem passa. Some-se a isso o perfil do homem moderno — um afeminado que deixou de gostar de mulher e passou a reparar em veadagens como estrias, celulite, culotes — e está formado o furdunço.</p>
<p>A primeira a reclamar foi Creuza, uma mulata já mais para os quarenta do que para os trinta. A cicatriz diagonal no colo é lembrança de uma navalhada precisa, aplicada como punição dez anos atrás. Zelão não se arrepende da navalhada: a crioula estava pedindo. Além do mais, largara a navalha no mesmo instante para levar a piranha até o hospital. Passou a noite segurando sua mão, enquanto ela chorava e pedia perdão. Ingrata. Ao notar que a luz do dia tornava impossível disfarçar a cicatriz, resolvera pedir, ou melhor, exigir uma reparação. Nos bons tempos, a reação imediata de Zelão seria aplicar outra navalhada e dar o assunto por encerrado. Mas os bons tempos já iam longe, então ele concordou em cortar sua comissão pela metade para bancar a cirurgia da moça. Um prejuízo danado, que Creuza tratou de multiplicar espalhando a história entre as colegas. Em pouco tempo, a principal atividade do cafetão era administrar os pedidos de lipoaspirações, peitos e beiços de silicone, apliques, depilações a laser, o diabo a quatro.</p>
<p>A cirurgia de miopia para Soraya foi a gota d&#8217;água. Um cliente preferencial, ela dizia, não gostava de mulher de óculos. Oras, indigna-se Zelão, que tipo de pederasta liga para esse tipo de coisa? Toda atividade em volta da profissão mais antiga do mundo é garantida pela pouca exigência dos homens. Zelão lembra-se da época da novela Pantanal. De uma hora para outra, todo mundo pirou de tesão na Juma, a mulher-onça. Aproveitando a onda, o agente passou a apresentar a maranhense Regina como &#8220;Oncinha do Pantanal&#8221;. A clientela enlouqueceu, e Regina voltou para o Maranhão rica e respeitada. O que ela tinha em comum com a atriz Cristiana Oliveira? Os cabelos longos, os olhos vesgos, e mais nada.</p>
<p>Bons e velhos tempos&#8230; Os homens de agora são todos umas bichas. </p>
<p>Os retoques, porém, foram só a primeira e mais inofensiva conseqüência da mudança. Depois de três meses, os arredores do fórum ostentavam um jardim mais belo e atraente: só tetas imensas e firmes, barrigas de tanquinho, bundas empinadas, coxas de cedro. Chegava a hora de colher os frutos de tanto investimento em estética. Ou pelo menos era o que ele, em sua inocência de benfeitor das putas, pensava. Porque elas, ah!, elas tinham outros planos.</p>
<p>Ora, elas trabalhavam à luz do dia. Os clientes eram atenciosos e tímidos. Os programas aconteciam de forma mais rápida — era necessário voltar ao escritório — e a rotatividade era maior. As ruas eram movimentadas. A polícia estava a postos. Em um cenário pacato assim, quem precisava de cafetão? Zelão acabou demitido por suas próprias protegidas.</p>
<p>E o pior é que não pode nem bater nas malditas. Porque agora, é claro, todas elas têm advogado.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/nossapandega.wordpress.com/45/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/nossapandega.wordpress.com/45/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nossapandega.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nossapandega.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nossapandega.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nossapandega.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nossapandega.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nossapandega.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nossapandega.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nossapandega.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nossapandega.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nossapandega.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nossapandega.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nossapandega.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nossapandega.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nossapandega.wordpress.com/45/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nossapandega.wordpress.com&amp;blog=3064142&amp;post=45&amp;subd=nossapandega&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>A Última Gota</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Mar 2008 20:31:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zunica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Trabalho no Round Midnight, um bar no Arouche, freqüentado por todo tipo de gente, de gringos do Bourbon Hotel a estudantes de arte. Uma espécie de Café de Fleur’s paulistano. Sou um estudioso. Meu objeto de estudo são as pessoas. Alimento-me de suas histórias, suas expressões, seus desejos, seus movimentos. Sinto com elas o gosto [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nossapandega.wordpress.com&amp;blog=3064142&amp;post=44&amp;subd=nossapandega&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Trabalho no Round Midnight, um bar no Arouche, freqüentado por todo tipo de gente, de gringos do Bourbon Hotel a estudantes de arte. Uma espécie de Café de Fleur’s paulistano.</p>
<p>Sou um estudioso. Meu objeto de estudo são as pessoas. Alimento-me de suas histórias, suas expressões, seus desejos, seus movimentos. Sinto com elas o gosto de cada gota dos drinques que lhes sirvo.  Por isso vim trabalhar no Midnight, e aqui estou há tantos anos.</p>
<p>Dentre os tipos de pessoas, um dos que mais me fascina são as Damas da Noite. Talvez seja meu fraco por mulheres, misturado a meu fraco pela decadência humana. Afinal, nenhuma mulher é mais mulher, e nenhum humano é mais humano – ou decadente – do que elas.</p>
<p>Adelaide é um exemplar interessante de desse tipo de material humano, e uma das freqüentadoras do bar que mais me ocupa. Diz ter estar na segunda metade dos quarenta, mas desconfio que tenha bem menos, e o tempo cronológico não tenha acompanhado a degradação do corpo proveniente da vida pouco ortodoxa que leva.</p>
<p>Às vezes tirava da bolsa um batom e um espelho, e ficava um tempo indefinível olhando para eles, numa melancolia diáfana. Era sempre um batom de péssima qualidade, dava uma impressão viscosa, artificial aos lábios. Não que lhe faltasse dinheiro para comprar uma marca melhor, isso ela tinha, mas não valia a pena. Não para gastar nos lábios de completos estranhos.</p>
<p>Adelaide chegava a sentir-se culpada pelo destino que dava a sua maquiagem. Era doloroso se arrumar, caprichar no rímel e no perfume para misturá-los ao suor dos vagabundos e cretinos que alugavam seu corpo sem sequer reparar no meticuloso tratamento. Chegava a gastar mais tempo se arrumando do que estragando o visual na cama.</p>
<p>Contemplar as rugas contrastantes com a maquiagem lhe dava certo prazer sádico. Seu gosto apurado para moda julgava criticamente as roupas que usava. O corpete vermelho, a saia de vinil, as botas de cano alto, a pintura exagerada. Estava vulgar, espalhafatosa, ridícula. Era um palhaço para divertir adultos. Uma atriz. Encenava uma releitura de si mesma, caricatura cruel de um tempo e um lugar áridos, escrita por mãos ébrias e vacilantes. Simplesmente perfeita.</p>
<p>Quando a conheci, ela trabalhava numa casa luxuosa, vestia-se bem, era sorridente, apesar de o entusiasmo transbordar cocaína. Era estudante de letras e se prostituía para pagar a faculdade. Ganhava bem seus dez ou doze mil reais por mês. Adotou o nome de Lucíola, numa brincadeira literária que certamente faria José de Alencar se revirar no túmulo. Vinha todas as manhãs, quando eu abria o bar, e tomava uma vodca Absolut. Os anos vieram, ela não se formou e passou a idade limite da Casa de Diversões Alternativas. Teve que se transferir para um prostíbulo menor, mas continuava vindo aqui. Sentia-se num ambiente menos hostil. </p>
<p>Começou a fazer programa em seu apartamento, mas precisou aderir a um cafetão para se proteger,depois que um cliente arrancou-lhe três dentes e deixou-lhe quase morta, porque não quis pagar o serviço. O cafetão ficou cada vez mais ganancioso e Adelaide teve que se mudar para um apartamento menor. Os clientes fiéis levaram sua fidelidade a garotas mais novas, de carnes mais firmes, e Lucíola começou a figurar nas ruas. Não parecia se importar, enxergava certo charme no ar noturno. Flertar com desavisados, seduzir pais de família e fazê-los perder o horário de voltar pra casa massageava seu ego. </p>
<p>Noite após noite, a cidade ficava mais violenta, e os cafetões se diversificaram. Agora, pagava aos policiais para poder trabalhar. Conforme a distribuição da renda se pulverizava, a vodca foi ficando mais barata e mais freqüente. A clientela também perdeu o glamour, e Lucíola tornou-se uma Geni urbana. “O seu corpo é dos errantes, dos cegos, dos retirantes, é de quem não tem mais nada”, diria Chico, ao ver a triste figura em que Lucíola converteu Adelaide. </p>
<p>Hoje, Lucíola tomou o golpe final. Antes podia suportar a idéia da própria ruína por sua ilusão romântica, sua personagem noturna, dividida maniqueísticamente. A Noite, porém, outrora uma mãe compreensiva que reconfortava os excluídos e encobria as vergonhas, expulsou suas filhas do lar. A máscara noturna se foi com a violência, e Lucíola, senhora de quarenta e tantos anos, varizes e olheiras profundas, recosta-se em um poste na Praça da República, exposta ao cruel olho de Apolo, para flertar com os transeuntes, impossibilitada de diferenciar entre os habituais desiludidos e os verdugos da moralidade. Corre o risco de se encontrar a qualquer momento com suas antigas colegas de universidade, com suas vizinhas beatas, com o senhorio da quitinete que habita.</p>
<p>Se antes a mascara noturna poderia preencher as manchas na pele, as covas fundas sob os olhos, a flacidez das coxas cansadas, a luz diurna é uma lente de aumento zombeteira. O charme Noir dá lugar a uma realidade humilhante. Adelaide está velha, uma idade física que avança sobre o tempo corrido. Anos multiplicados por dias e noites de festas, de dores, de um pesadelo que se disfarçava de ilusão. Adelaide está velha, e Lucíola não mais pode enganá-la.</p>
<p>A falsa euforia foi finalmente trocada pela vergonha, e agora ela passa aqui no final do novo expediente, às oito da noite. Gasta praticamente tudo o que ganha com cachaça, em um boteco três quarteirões abaixo daqui, e depois vêm tomar uma vodca, como antigamente. Demora-se por horas na mesa. O patrão jamais cogitou pedir que ela se vá. Tornou-se peça histórica do bar. Foi-se o dinheiro, ficou a piedade alheia. Não sei o que a embriaga mais, se a vodca ou a comiseração.</p>
<p>Na noite passada, Adelaide trouxe para a mesa um livro, e passou a noite toda em cima dele, com um pote de Liquid Paper e uma esferográfica preta. Quando se foi, me deixou o volume de presente. É um exemplar de Fausto, de Goethe. Em cada página, por cima do nome de Fausto, ela escreveu Adelaide. Em cima de Mefistófeles, Lucíola.</p>
<p>Desconfio que não a verei novamente.</p>
<p><em><a href="http://www.prozaczone.blogspot.com">Plínio Zúnica</a></em></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/nossapandega.wordpress.com/44/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/nossapandega.wordpress.com/44/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nossapandega.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nossapandega.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nossapandega.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nossapandega.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nossapandega.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nossapandega.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nossapandega.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nossapandega.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nossapandega.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nossapandega.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nossapandega.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nossapandega.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nossapandega.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nossapandega.wordpress.com/44/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nossapandega.wordpress.com&amp;blog=3064142&amp;post=44&amp;subd=nossapandega&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Achei a merda</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Mar 2008 16:21:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marco Aurélio Gois dos Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[A merda estava na crítica do Vinícius ao texto do Alex. Não me venham com desculpas, não quero saber. E não me esmerdeiem mais o layout.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nossapandega.wordpress.com&amp;blog=3064142&amp;post=42&amp;subd=nossapandega&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A merda estava na crítica do Vinícius ao texto do Alex. Não me venham com desculpas, não quero saber. E não me esmerdeiem mais o layout.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/nossapandega.wordpress.com/42/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/nossapandega.wordpress.com/42/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nossapandega.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nossapandega.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nossapandega.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nossapandega.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nossapandega.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nossapandega.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nossapandega.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nossapandega.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nossapandega.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nossapandega.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nossapandega.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nossapandega.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nossapandega.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nossapandega.wordpress.com/42/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nossapandega.wordpress.com&amp;blog=3064142&amp;post=42&amp;subd=nossapandega&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Fugghedaboudit</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Mar 2008 04:02:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marco Aurélio Gois dos Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Alex e Vinícius, nem se preocupem em tentar entender o que aconteceu. Meu micro morreu, e junto com ele foi o banner que eu havia criado. O blog fica assim, então.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nossapandega.wordpress.com&amp;blog=3064142&amp;post=38&amp;subd=nossapandega&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alex e Vinícius, nem se preocupem em tentar entender o que aconteceu. Meu micro morreu, e junto com ele foi o banner que eu havia criado. O blog fica assim, então.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/nossapandega.wordpress.com/38/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/nossapandega.wordpress.com/38/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nossapandega.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nossapandega.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nossapandega.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nossapandega.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nossapandega.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nossapandega.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nossapandega.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nossapandega.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nossapandega.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nossapandega.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nossapandega.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nossapandega.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nossapandega.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nossapandega.wordpress.com/38/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nossapandega.wordpress.com&amp;blog=3064142&amp;post=38&amp;subd=nossapandega&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>As belas da tarde</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Mar 2008 20:35:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>aninha08</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Os textos que serão publicados em breve têm como tema matéria da Folha Online, de 02/mar/08, Insegurança faz prostitutas trocarem noite pelo dia em São Paulo, sobre o fato de as prostitutas do centro trocarem a noite pela tarde em razão da violência. O gênero do texto deve ser o conto. Enquanto espero a publicação [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nossapandega.wordpress.com&amp;blog=3064142&amp;post=37&amp;subd=nossapandega&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os textos que serão publicados em breve têm como tema matéria da <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0203200814.htm" title="Folha Online">Folha Online</a>, de 02/mar/08, Insegurança faz prostitutas trocarem noite pelo dia em São Paulo, sobre o fato de as prostitutas do centro trocarem a noite pela tarde em razão da violência. O gênero do texto deve ser o conto.</p>
<p>Enquanto espero a publicação dos textos, me lembrei de um poema de <a href="http://www.algumapoesia.com.br/poesia2/poesianet206.htm">John Donne</a>, Em despedida: proibindo o pranto, tradução de Augusto de Campos.Não sei por que a lembrança.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/nossapandega.wordpress.com/37/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/nossapandega.wordpress.com/37/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nossapandega.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nossapandega.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nossapandega.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nossapandega.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nossapandega.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nossapandega.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nossapandega.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nossapandega.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nossapandega.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nossapandega.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nossapandega.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nossapandega.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nossapandega.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nossapandega.wordpress.com/37/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nossapandega.wordpress.com&amp;blog=3064142&amp;post=37&amp;subd=nossapandega&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>DEPOIS DAS FÉRIAS</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Mar 2008 20:10:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>aninha08</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Os textos abaixo No Ceará não tem disso não, por Alex Falcão; São Paulo marginal, por Fernando Thadeu; Cidade catótica, por Marco Aurélio;As loucuras da paixão, por Daniel Lucas; Putrefação Poética Paulistana, por Plinio Zúnica; Só em São Paulo, por Marcelo Fabri; e Vinicius com &#8220;u&#8221;, por favor, por Vinicius Peixoto foram produzidos a partir [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nossapandega.wordpress.com&amp;blog=3064142&amp;post=36&amp;subd=nossapandega&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os textos abaixo No Ceará não tem disso não, por Alex Falcão; São Paulo marginal, por Fernando Thadeu; Cidade catótica, por Marco Aurélio;As loucuras da paixão, por Daniel Lucas; Putrefação Poética Paulistana, por Plinio Zúnica; Só em São Paulo, por Marcelo Fabri; e Vinicius com &#8220;u&#8221;, por favor, por Vinicius Peixoto foram produzidos a partir do tema &#8220;Isto só acontece em São Paulo&#8221;, para o gênero crônica. Me parece que esses foram os textos que mais receberam comentários dos leitores, talvez pela proximidade com o tema, talvez pela qualidade dos escritores. O que você acha, leitor? Deixe seu comentário.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/nossapandega.wordpress.com/36/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/nossapandega.wordpress.com/36/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nossapandega.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nossapandega.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nossapandega.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nossapandega.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nossapandega.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nossapandega.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nossapandega.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nossapandega.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nossapandega.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nossapandega.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nossapandega.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nossapandega.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nossapandega.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nossapandega.wordpress.com/36/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nossapandega.wordpress.com&amp;blog=3064142&amp;post=36&amp;subd=nossapandega&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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